Duas ameaças, um problema de dados: principais conclusões do Relatório de Ameaças Quânticas e de IA da Thales

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Por Anina Steele, Senior PR Manager da Thales

A inteligência artificial e a computação quântica costumam ser tratadas como tendências tecnológicas distintas. No entanto, as novas descobertas do Relatório de Ameaças Quânticas e de IA da Thales mostram que encarar essas tecnologias como desafios separados é um erro que as organizações não podem mais se dar ao luxo de cometer.

Com base nas respostas de 3.120 profissionais de segurança e tecnologia em 20 países, o estudo revela um tema em comum entre as duas tecnologias: ambas convergem para o mesmo alvo, os dados corporativos. Diante desse cenário, como proteger as informações na interseção entre duas grandes revoluções tecnológicas?

Principais conclusões

  • O Relatório de Ameaças Quânticas e de IA da Thales 2026 ouviu 3.120 profissionais de segurança e TI em 20 países.
  • 98% dos entrevistados já consideram o impacto conjunto da IA e da computação quântica, reconhecendo que ambas convergem para um mesmo alvo: os dados corporativos.
  • O ataque Harvest Now, Decrypt Later (HNDL) é hoje a principal preocupação relacionada à computação quântica, citado por 61% dos participantes.
  • Os riscos da IA já são uma realidade: 59% das organizações sofreram ataques com deepfakes, e apenas 3% afirmaram não ter sofrido nenhum impacto decorrente de ameaças geradas por IA.
  • Empresas com fundamentos mais sólidos em segurança de dados demonstram estar significativamente mais preparadas tanto para os desafios da IA quanto da computação quântica.

IA e computação quântica não podem ser tratadas isoladamente

A IA não elimina a necessidade de preparação para a computação quântica. Pelo contrário, torna essa necessidade ainda mais urgente. A inteligência artificial acelera a capacidade dos ataques, enquanto as organizações dependem cada vez mais da criptografia para proteger suas informações.

Segundo o relatório, 98% dos entrevistados afirmam considerar a relação entre IA e computação quântica. O mercado já deixou para trás a visão de que essas tecnologias evoluem de forma independente. Embora estejam em estágios diferentes de maturidade, ambas exercem pressão sobre os mesmos pilares da segurança, como descoberta e classificação de dados, criptografia, gestão de chaves e segurança em ambientes de nuvem. As organizações que avançam em uma dessas frentes tendem também a estar mais maduras na outra.

Essa preocupação não se limita à segurança. De acordo com o estudo 451 Research VoTE Digital Pulse Quantum Computing, 36% das organizações acreditam que a computação quântica gerará valor significativo para os negócios entre um e três anos, enquanto 52% apontam a vantagem competitiva como principal motivação para investir nessa tecnologia.

A pressão da IA sobre a segurança dos dados já começou

Ao contrário da computação quântica, a segurança relacionada à IA não é um desafio do futuro.

As organizações já vêm ampliando seus investimentos nessa área. 25% classificaram a segurança para IA como a segunda maior prioridade em investimentos de segurança, atrás apenas da segurança em nuvem. Além disso, 30% relataram aumentos expressivos nos orçamentos destinados especificamente à proteção de iniciativas de IA.

Ao mesmo tempo, as equipes de segurança enfrentam o desafio de apoiar projetos em que velocidade e inovação costumam prevalecer sobre a proteção. A segurança apareceu como o segundo critério menos relevante para o sucesso dos projetos de IA, sendo citada por apenas 35% dos entrevistados, indicando que muitas empresas ainda a enxergam como uma função de apoio, e não como um objetivo estratégico.

Os principais obstáculos para adoção da IA também estão relacionados aos dados. Os fatores mais citados foram:

  • Qualidade e governança dos dados (65%);
  • Exposição de dados (61%).

O relatório também mostra como os riscos gerados por IA passaram rapidamente a fazer parte da rotina das equipes de segurança.

Apenas 3% dos entrevistados disseram não ter sofrido qualquer prejuízo causado por ameaças baseadas em IA. Embora o erro humano continue sendo a principal causa das violações de segurança, os deepfakes surgem como a maior preocupação relacionada à IA. 59% das organizações relataram ataques desse tipo, enquanto 48% sofreram danos à reputação decorrentes de ameaças geradas por inteligência artificial, refletindo a crescente sofisticação das técnicas de engenharia social apoiadas por IA.

Além disso, a adoção crescente de IA agêntica e sistemas autônomos está acelerando o volume e a velocidade do uso de dados dentro das organizações. Como consequência, profissionais de cibersegurança precisam controlar rigorosamente quem acessa essas informações, onde elas estão armazenadas, como são utilizadas e se permanecem protegidas ao longo de fluxos complexos de IA.

O risco quântico já exige preparação: Harvest Now, Decrypt Later

Se a IA representa a pressão de hoje, a computação quântica representa o prazo crítico de amanhã.

O relatório mostra que as organizações já estão ajustando suas prioridades de segurança. O ataque Harvest Now, Decrypt Later (HNDL) tornou-se a principal preocupação relacionada à computação quântica, sendo citado por 61% dos entrevistados.

Nesse tipo de ataque, criminosos coletam dados criptografados atualmente e os armazenam para descriptografá-los futuramente, quando computadores quânticos forem capazes de quebrar os algoritmos criptográficos atuais. A preocupação é simples: informações confidenciais roubadas hoje poderão ser acessadas anos depois, quando essa capacidade estiver disponível.

Uma parcela significativa das organizações já iniciou sua preparação. Quase um terço (32%) está experimentando ou avaliando iniciativas em computação quântica, enquanto 59% pretendem testar ou avaliar algoritmos de criptografia pós-quântica (PQC) nos próximos 18 a 24 meses.

As discussões sobre prazos tornam-se cada vez mais urgentes. Um estudo preliminar liderado pelo Caltech (ainda sem revisão por pares) indica que o algoritmo de Shor poderá operar em escalas criptograficamente relevantes utilizando apenas 10 mil qubits atômicos reconfiguráveis, número significativamente inferior às estimativas anteriores para ataques contra esquemas como a criptografia de curvas elípticas de 256 bits.

Ainda há divergências sobre quando ocorrerá o chamado Q-Day, momento em que computadores quânticos conseguirão quebrar a criptografia atual. Algumas estimativas apontam que isso poderá acontecer já em 2030. Independentemente da data, a migração para controles resistentes à computação quântica levará anos, tornando indispensável iniciar essa preparação o quanto antes.

Líderes e retardatários: a diferença está na segurança dos dados

O relatório também comparou organizações consideradas líderes e retardatárias na adoção dessas tecnologias.

Os líderes em segurança para IA foram definidos como empresas que já investem em proteção específica para IA e se consideram à frente de seus concorrentes na adoção dessa tecnologia. Já os líderes em computação quântica são aqueles que experimentam ou avaliam ativamente oportunidades relacionadas ao tema.

Em ambos os grupos, empresas com fundamentos mais sólidos em segurança de dados demonstraram maior preparo para enfrentar tecnologias emergentes.

Entre os líderes em IA:

  • 36% afirmam ter conhecimento completo sobre onde seus dados estão armazenados, contra 28% entre os retardatários.
  • 43% conseguem classificar totalmente seus dados, frente a 35% das organizações menos maduras.

Essa relação também ocorre no sentido inverso.

Entre os líderes em IA, 33% já experimentam projetos de computação quântica, enquanto apenas 22% dos retardatários fazem o mesmo.

Da mesma forma, 89% dos líderes em computação quântica investiram em segurança específica para IA, contra 80% entre os retardatários.

A conclusão é clara: organizações que constroem bases mais robustas de proteção de dados estão melhor posicionadas para enfrentar tanto os desafios da inteligência artificial quanto da computação quântica.

A nuvem continua sendo a principal superfície de ataque

O relatório também reforça o papel central dos ambientes em nuvem nos riscos atuais de segurança.

Segundo o estudo 451 Research VoTE Digital Pulse Quantum Computing, a segurança em nuvem é o principal desafio de segurança corporativa todos os anos desde 2021.

Essa tendência também aparece nas conclusões do relatório. Os três ativos mais frequentemente atacados são:

  • Armazenamento em nuvem (35%);
  • Aplicações em nuvem (34%);
  • Infraestrutura de gerenciamento da nuvem (32%).

Atualmente, cada organização utiliza, em média, 2,3 provedores de nuvem, enquanto 39% utilizam mais de três.

À medida que iniciativas de IA dependem da infraestrutura em nuvem para treinamento, inferência e armazenamento de dados, a superfície de ataque continua aumentando.

Nesse cenário, a visibilidade torna-se cada vez mais importante para as equipes de segurança, especialmente à medida que os ambientes ficam mais distribuídos e os dados transitam entre diferentes plataformas, provedores e serviços de IA.

A comparação entre líderes e retardatários mostra que organizações que investem hoje em fundamentos sólidos de segurança de dados não apenas conseguem lidar melhor com os riscos atuais da IA, como também reduzem sua exposição à futura ameaça representada pela computação quântica.

Perguntas frequentes

O que é o ataque Harvest Now, Decrypt Later (HNDL)?

Harvest Now, Decrypt Later (HNDL) é uma estratégia em que criminosos roubam e armazenam dados criptografados atualmente para descriptografá-los futuramente, quando computadores quânticos forem capazes de quebrar os algoritmos criptográficos atuais. No Relatório de Ameaças Quânticas e de IA da Thales 2026, 61% dos entrevistados apontaram esse tipo de ataque como sua principal preocupação relacionada à computação quântica.

A computação quântica representa uma ameaça à cibersegurança?

Sim. Computadores quânticos de grande escala deverão ser capazes de quebrar sistemas de criptografia de chave pública, como RSA e criptografia de curvas elípticas, utilizados atualmente para proteger dados em trânsito e armazenados. O risco mais imediato é justamente o ataque Harvest Now, Decrypt Later.

Quando acontecerá o Q-Day?

Q-Day é o momento em que um computador quântico conseguirá quebrar os métodos de criptografia utilizados atualmente. As previsões variam, mas algumas estimativas indicam que isso poderá ocorrer por volta de 2030. Como a migração para mecanismos resistentes à computação quântica levará anos, especialistas recomendam iniciar a preparação desde já.

Como as organizações podem se preparar para as ameaças da IA e da computação quântica?

O relatório destaca que o primeiro passo é fortalecer os fundamentos da segurança de dados, identificando onde as informações estão armazenadas, classificando-as corretamente e protegendo-as por meio de criptografia e gestão de chaves. Também recomenda desenvolver criptoagilidade, avaliar soluções de criptografia pós-quântica (PQC) e utilizar ferramentas de gerenciamento da postura de segurança dos dados para descobrir e proteger informações sensíveis em ambientes de nuvem e infraestruturas híbridas.

Faça o download do Relatório de Ameaças Quânticas e de IA da Thales para conhecer todas as conclusões e recomendações do estudo.

Esse artigo tem informações retiradas do blog da Thales. A Neotel é parceira da Thales e, para mais informações sobre as soluções e serviços da empresa, entre em contato com a gente.

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