‘Hackers não precisam hackear, eles se conectam’

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“A invasão da Ucrânia é o ápice de anos de preparação por parte do Estado russo. Vantagens cibernéticas estratégicas foram obtidas em várias áreas, convencendo-as de sua própria supremacia cibernética.” A opinião é da Julia O’Toole, fundadora e CEO da MyCena Security Solutions. Segundo ela, ataques cibernéticos históricos deram ao governo russo vantagens críticas na preparação para o conflito contra a Ucrânia. Na expectativa da escalada dos ataques cibernéticos, as organizações devem tomar medidas imediatas para garantir a ciber-resiliência.

“Os militares russos vêm testando e aperfeiçoando técnicas de guerra cibernética há anos, inclusive contra seu vizinho ucraniano, o mais devastador dos quais foi o ataque cibernético NotPetya. Isso foi direcionado contra as instituições financeiras, energéticas e governamentais da Ucrânia em junho de 2017, mas também afetou indiretamente muitas outras empresas, causando centenas de milhões de euros em perdas.”

Ainda segundo ela, “este ataque destacou o risco associado à conexão da infraestrutura digital de seu próprio país com o mundo. Portanto, a Rússia criou sua própria rede de Internet que pode ser desconectada do resto do mundo quando necessário. Isso foi testado em junho e julho de 2021 e novamente em janeiro de 2022, dias depois que uma dúzia de sites do governo ucraniano foram atingidos por um ataque de eliminação de dados disfarçado de ransomware.”

De acordo com um relatório da Chainanalysis, quase três quartos da receita de ransomware rastreável em 2021 (cerca de US$ 400 milhões em criptomoedas) foram lavadas via Rússia. “Isso significa que as seguradoras cibernéticas podem ter involuntariamente preenchido os cofres dos militares russos.”

Uma série recente de ataques cibernéticos e vulnerabilidades de alto perfil, incluindo as vulnerabilidades de ataque solarwinds e log4j, permitiram que cibercriminosos russos digitalizassem, roubassem e, crucialmente, ficassem dentro das organizações. De acordo com Julia O’Toole, “o ataque do SolarWinds teria dado à Rússia acesso a dados de cerca de 100 agências governamentais dos EUA, entidades críticas de infraestrutura e organizações do setor privado”.

Em um contexto de escalada de ataques cibernéticos nos lados russo e ucraniano, teme-se que um efeito cascata desses ataques possa afetar organizações por ricochete como Saint-Gobain em junho de 2017, que teve que interromper suas atividades após o ataque cibernético NotPetya, custando-lhe 80 milhões de euros em resultados.

“Todos os países estão certos em exortar empresas e organizações a tomar medidas para melhorar e aumentar sua resiliência cibernética. Na guerra cibernética de hoje, uma estratégia de resiliência cibernética é mais urgente e necessária do que nunca. A questão é como”, disse.

Ainda segundo ela, “a Rússia ganhou suas vantagens cibernéticas fundamentalmente através dos modelos de acesso digital inerentemente fracos implantados pelas organizações hoje. Sabemos que nove em cada 10 ataques envolvem senhas legítimas, com phishing por senha responsável por 83% de todos os ataques cibernéticos em 2021.”

Segundo ela, “do ponto de vista financeiro, a retirada de alguns bancos russos do Swift e o congelamento dos ativos de seu Banco Central terão um impacto maciço na capacidade da Rússia de apoiar sua agressão. Ao prevenir ataques de ransomware, as organizações também poderiam impedir que o roubo de criptomoedas compensasse as penalidades financeiras e encurtasse a guerra”.

Também a Radware divulgou relatório com orientações sobre uma ameaça cibernética relacionada aos ataques militares do Kremlin contra a Ucrânia. As orientações oferecem informações e inteligência detalhada sobre o que se sabe até agora, bem como insights sobre os desenvolvimentos cibernéticos mais recentes usados para apoiar o conflito off-line.

“Exércitos de TI e hacktivistas patriotas tornaram-se a nova face da guerra híbrida. Eles estão adicionando uma nova dinâmica aos ataques a Estados-nação”, comentou Pascal Geenens, Cybersecurity Threat Director da Radware. “Uma das consequências para as organizações e ameaças mais significativas está em se tornar vítima nessa guerra por proxy travada por esses grupos. Agora, mais do que nunca, as organizações de todo o mundo precisam tomar medidas decisivas para reforçar sua resiliência à segurança cibernética.”

FONTE: MONITOR MERCANTIL

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