Maioria dos brasileiros teme fraudes e vê crimes de violação de dados crescerem

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Pesquisa Observatório FEBRABAN mostra população mais preocupada em proteger suas informações. Para 59% das pessoas ouvidas, a privacidade se tornou um mito, já que as empresas, de alguma forma, acessam os dados pessoais

De acordo com a pesquisa Observatório FEBRABAN, divulgada hoje (02), a grande maioria dos brasileiros já sofreu tentativa de fraude ou conhece alguém que tenha sido vítima de golpes. O levantamento observou que a população está atenta e apreensiva em relação a esses crimes e violações dos seus dados pessoais.

A Pesquisa FEBRABAN-IPESPE está na 7ª edição e buscou investigar a visão da sociedade sobre a segurança de dados no Brasil e os crimes envolvendo violação de informações pessoais. O levantamento foi realizado entre os dias 18 e 25 de junho, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do País.

Embora uma grande parte perceba uma evolução positiva na segurança de seus dados pessoais, nos últimos cinco anos, um terço acredita que estão menos seguros e 22% não identificaram alteração no período. Já para os próximos cinco anos, 54% têm a expectativa de avanço na segurança e apenas 22% apostam que esses dados estarão ainda menos seguros.

A maioria também considera que a privacidade nos meios eletrônicos virou um mito, e que tudo, ou a maior parte, das suas informações podem ser acessadas. Por isso, é grande a cobrança por maior eficiência e endurecimento da legislação que trata da proteção de dados.

“Segurança digital é um tema que a sociedade precisa encarar de frente e já está fazendo, pois diariamente esses crimes afetam pessoas e empresas, ganham espaço no noticiário econômico, político e policial envolvendo não só o cidadão, mas também grandes corporações e instituições públicas e privadas”, diz o presidente da FEBRABAN, Isaac Sidney, que ressalta: “Um bom indicador da pesquisa é que o brasileiro está atento, sobretudo quanto ao uso que as empresas privadas fazem dos seus dados pessoais”.

Segundo dados da FEBRABAN, no primeiro bimestre de 2021 os ataques de phishing, a chamada pescaria digital, cresceu 100% em relação ao ano passado, enquanto os golpes da falsa central telefônica e falso funcionário de banco tiveram crescimento ainda maior, de 340%.

O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE, destaca como resultado animador da pesquisa a constatação de que, apesar do medo e da preocupação preponderantes em relação à segurança de dados no país, a grande maioria dos brasileiros confia nas empresas e instituições com que transacionam, no que tange à proteção de suas informações pessoais e reconhecem os investimentos feitos no intuito de aumentar a segurança.

Crimes na pandemia

Nos últimos 12 meses, os próprios entrevistados ou familiares foram vítimas, sendo as situações mais comuns aquelas envolvendo recebimento de mensagens ou ligação telefônica com solicitação fraudulenta seja de dados pessoais ou bancários (43%), de depósito ou transferência de dinheiro para amigo ou parente (34%).

91% dos entrevistados avaliam que os crimes aumentaram muito (46%) ou aumentaram (45%) no período da pandemia; e somente 5% acham que diminuíram (4%) ou diminuíram muito (1%).

O entrevistaram também mencionaram cobranças fraudulentas ou compras indevidas em seu cartão de débito ou crédito (29%); invasão do e-mail ou das redes sociais, com alguém assumindo o controle sem permissão (18%); clonagem de celular ou WhatsApp (18%); tentativa de abertura de linha de crédito ou solicitação de empréstimo usando seu nome (15%); e invasão e acesso a dados bancários (14%).

A grande maioria (86%) afirma ter medo – muito (53%) ou algum (33%) – de ser vítima de fraudes ou violações dos seus dados pessoais. Apenas 13% expressam pouco (10%) ou nenhum (3%) medo.

Embora 42% percebam uma evolução positiva na segurança de seus dados pessoais, nos últimos cinco anos, um terço (33%) acredita que estão menos seguros e 22% não identificam alteração. Já para os próximos cinco anos, 54% têm a expectativa de avanço na segurança e apenas 22% apostam que esses dados estarão ainda menos seguros. Percentual similar (19%) acredita que essa realidade não sofrerá alteração.

Predomina a percepção (56%) de que os riscos existentes no fornecimento de dados pessoais a empresas e instituições superam os benefícios recebidos. A minoria (28%) expressa opinião contrária, ou seja, os benefícios superam riscos. Apenas 13% se consideram muito beneficiados pelas empresas que coletam seus dados pessoais; 32%, mais ou menos; 25%, pouco; e outros 25% não identificam nenhum benefício.

Dados e riscos

O papel da tecnologia na proteção de dados é polêmico. Enquanto 49% acham que o avanço da tecnologia facilita a violação de dados e as fraudes, 46% acreditam que os recursos da tecnologia ajudam a manter as informações pessoais mais seguras.

O acesso aos dados por empresas privadas e públicas é aceito em algumas situações, demonstrando que, em tese, as pessoas permitem a utilização de seus dados pessoais para melhorar a vida em sociedade.

Predomina a percepção de que as empresas monitoram e acessam mais as informações dos seus usuários e clientes do que os governos. Para 79% dos entrevistados, tudo (25%) ou a maior parte (54%) das operações que eles realizam de forma online ou pelo celular é monitorada ou seus dados pessoais são coletados por anunciantes e empresas. Para 60% os órgãos públicos monitoram e coletam todas (20%) ou a maior parte (40%) das informações a partir das atividades das pessoas online ou no celular.

A maioria das pessoas (53%) acha que tem controle – muito (14%) ou algum (39%) – sobre seus dados; mas há uma grande parcela (44%) que acredita ter pouco (28%) ou nenhum controle (16%).

Para 59% das pessoas ouvidas a privacidade se tornou um mito, já que as empresas, de alguma forma, acessam os dados de seus usuários. Apenas 37% acham que essas informações só são acessíveis com o conhecimento ou consentimento das pessoas.

Quando se trata de ler os termos e condições da política de privacidade das empresas, 26% declaram fazê-lo “às vezes”, 16% “raramente” e 12% “nunca” o fazem. Os mais cuidadosos somam 44% que “sempre” (23%) ou “frequentemente” (21%) leem antes de atestar sua concordância.

Conhecimento sobre a legislação

Apenas 11% das pessoas afirmam conhecer “muito bem” as leis de proteção de dados e 45% acham que conhecem “mais ou menos”. Outros 31% conhecem “pouco” e 11% não conhecem “nada”.

Em relação à Lei Geral de Proteção de Dados, 9% dizem conhecer muito bem e 28% conhecem mais ou menos; a maioria (60%) conhece só de ouvir falar (33%) ou não conhece (27%). Quanto à Lei 14.155 que prevê punições mais severas para fraudes e golpes cometidos em meios eletrônicos: 6% conhecem muito bem e 30% conhecem mais ou menos; 61% conhecem só de ouvir falar (35%) ou não conhecem (26%).

A percepção majoritária é que a legislação atual é pouco eficiente (50%) ou ineficiente (16%). Apenas 5% consideram a legislação muito eficiente e 24%, eficiente. Essa opinião está alinhada à expectativa de endurecimento das leis: 76% desejam que a regulamentação seja mais dura, contra 10% que acham que as regras legais deveriam ser mais leves.

Considerando as duas leis em vigor – a que protege a privacidade dos dados pessoais (LGPD) e a que pune quem pratica fraudes em meios eletrônicos (14.155) – 62% acham que o número de golpes vai diminuir muito (14%) ou um pouco (48%), e 30% opinam que esse tipo de crime não sofrerá alteração.

Os bancos são a entidade mais confiável. Cerca de dois terços dos entrevistados (65%) confiam nos bancos contra 31% que não confiam. Estes são seguidos pelo comércio e lojas físicas (61%), fintechs com 57% que confiam e 34% que não confiam. Por outro lado, sites e redes sociais desfrutam da menor confiança (39%) prevalecendo os que não confiam (53%).

Governo Federal (45% confiam, contra 48% que não confiam); Governo do Estado (44% confiam e 48% não confiam); e Prefeitura (47% confiam e 46% não confiam).

FONTE: SECURITY REPORT

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