Por que firewalls não são suficientes no cenário atual de cibersegurança

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Por Irfan Shakeel

A tecnologia de firewall tem refletido as complexidades da segurança de rede, evoluindo significativamente ao longo do tempo. Originalmente servindo como reguladores básicos de tráfego baseados em endereços IP, os firewalls avançaram para modelos de inspeção com estado, oferecendo uma abordagem mais sofisticada para a segurança de rede. Essa evolução continuou com o surgimento dos firewalls de próxima geração (NGFWs), que trouxeram ainda mais profundidade por meio da análise de dados e inspeção em nível de aplicação.

No entanto, mesmo com esses avanços, os firewalls têm dificuldade em lidar com a natureza cada vez mais sofisticada das ameaças cibernéticas. O cenário digital moderno apresenta desafios formidáveis como ataques de dia zero, malware altamente evasivo, ameaças criptografadas e táticas de engenharia social, muitas vezes superando as capacidades das defesas tradicionais de firewalls.

A descoberta do CVE-2023-36845 em setembro de 2023, afetando cerca de 12.000 dispositivos de firewall Juniper, é um exemplo. Essa exploração de dia zero permitiu que atores não autorizados executassem código arbitrário, contornando medidas de segurança estabelecidas e expondo redes críticas ao risco. Incidentes como esse destacam a crescente necessidade de uma abordagem dinâmica e abrangente à segurança de rede, que vá além do paradigma tradicional dos firewalls.

Elemento humano – o elo mais fraco na segurança de firewalls

Enquanto a descoberta de CVEs destaca vulnerabilidades a explorações de dia zero, também traz à tona outro desafio crítico na segurança de firewalls: o erro humano. Além das ameaças externas sofisticadas, os riscos internos causados por má configuração devido à supervisão humana são igualmente significativos. Esses erros, muitas vezes sutis, podem enfraquecer drasticamente as capacidades protetoras dos firewalls.

Configurações incorretas na segurança de firewalls

As configurações incorretas na segurança de firewalls, frequentemente resultantes de erro humano, podem comprometer significativamente a eficácia dessas barreiras de segurança cruciais. Essas configurações incorretas podem assumir várias formas, cada uma apresentando riscos únicos à integridade da rede. Tipos comuns de configurações incorretas de firewalls incluem:

Configuração imprópria de listas de controle de acesso (ACLs):

As ACLs definem quem pode acessar quais recursos em uma rede. Configurações incorretas aqui podem envolver a definição de regras muito permissivas, permitindo inadvertidamente que usuários não autorizados acessem áreas sensíveis da rede.

Um exemplo poderia ser permitir erroneamente tráfego de fontes não confiáveis ou não restringir o acesso a recursos internos críticos.

Configurações defeituosas de VPN:

Redes privadas virtuais (VPNs) são essenciais para acesso remoto seguro. VPNs configuradas incorretamente podem criar vulnerabilidades, especialmente se não estiverem integradas corretamente ao conjunto de regras do firewall.

Erros comuns incluem não aplicar autenticação forte ou negligenciar restringir o acesso com base em funções e permissões do usuário.

Regras de firewall desatualizadas ou redundantes:

Com o tempo, o ambiente de rede muda, mas as regras de firewall podem não ser atualizadas de acordo. Regras desatualizadas podem criar lacunas de segurança ou complexidade desnecessária.

Regras redundantes ou conflitantes também podem levar à confusão na aplicação de políticas, potencialmente deixando a rede aberta à exploração.

Gerenciamento incorreto de portas:

Portas abertas são necessárias para a comunicação de rede, mas portas abertas desnecessárias podem ser exploradas por atacantes.

Configurações incorretas aqui incluem deixar portas abertas que não estão mais em uso ou identificar erroneamente as portas que precisam estar abertas para funções legítimas da rede.

Falha na implementação de sistemas de prevenção/detecção de intrusões (IPS/IDS):

IPS/IDS são críticos para identificar e prevenir ameaças potenciais. Não integrar esses sistemas de forma eficaz com o firewall pode levar a lacunas na detecção de ameaças.

Configurações incorretas podem envolver assinaturas ou limiares mal definidos, levando a uma alta taxa de falsos positivos ou negativos.

Negligência na configuração de zonas de segurança e segmentação de rede:

A segmentação adequada da rede é vital para limitar a propagação de ataques dentro de uma rede. A segmentação inadequada pode resultar em comprometimento generalizado da rede em caso de violação.

Erros comuns incluem não definir ou configurar incorretamente zonas internas e externas, ou não aplicar regras rigorosas ao tráfego que se move entre diferentes segmentos.

Conformidade regulatória e necessidades de segurança avançada

O cenário da regulamentação de cibersegurança é definido por padrões rigorosos, cada um enfatizando a necessidade de medidas de segurança robustas. Firewalls tradicionais, embora fundamentais, muitas vezes não conseguem atender aos requisitos específicos desses padrões. Em vez disso, há uma ênfase crescente no uso de gateways unidirecionais e diodos de dados para cumprir essas regulamentações. Essa mudança não só se alinha aos rigorosos requisitos dos mandatos modernos de cibersegurança, mas também reduz os riscos associados ao erro humano na configuração de firewalls.

Vários padrões chave destacam a importância das tecnologias unidirecionais, incluindo:

  • NERC CIP: Regendo o sistema elétrico a granel da América do Norte, o NERC CIP inclui padrões que exigem especificamente o uso de gateways unidirecionais para comunicação de dados entre redes. Esses padrões refletem a necessidade de medidas de segurança rigorosas no setor de energia.
  • Comissão Reguladora Nuclear (NRC): As diretrizes da NRC para a indústria de energia nuclear enfatizam a importância dos diodos de dados na proteção de sistemas críticos. Este requisito aponta para a necessidade de métodos de transmissão de dados altamente seguros que os firewalls tradicionais não podem fornecer.
  • ISA/IEC 62443: Projetado para a segurança de sistemas de automação e controle industrial, os padrões ISA/IEC 62443 defendem o uso de gateways unidirecionais. Esta recomendação reconhece os desafios únicos de segurança em ambientes industriais e as limitações dos firewalls tradicionais nesses contextos.
  • NIST Cybersecurity Framework: Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, este framework enfatiza a segmentação da rede para isolar ativos críticos. Ele recomenda o uso de diodos de dados ou gateways de segurança para esse propósito, destacando seu papel em melhorar a segurança da rede além das capacidades dos firewalls convencionais.
  • ISO 27001 (Sistema de Gestão de Segurança da Informação): Como um padrão internacional para a gestão da segurança da informação, a ISO 27001 sugere a implementação de diodos de dados ou gateways de segurança. Essas tecnologias são cruciais para atender aos requisitos do padrão para acesso seguro aos dados e comunicação controlada entre redes, garantindo uma gestão abrangente da segurança da informação.

O foco em gateways unidirecionais e diodos de dados nesses diversos padrões ilustra uma mudança na estratégia de cibersegurança. À medida que as organizações se esforçam para se alinhar a esses mandatos de conformidade rigorosos, torna-se evidente que o papel dos firewalls tradicionais está mudando, necessitando da integração de soluções de segurança mais avançadas para proteger adequadamente infraestruturas críticas de rede.

Integrando tecnologias avançadas com gateways unidirecionais

Gateways unidirecionais, ou diodos de dados, são dispositivos de segurança especializados que permitem que os dados viajem apenas em uma direção, tipicamente de uma rede segura para uma menos segura. Esse design impede inerentemente qualquer possibilidade de ataques externos infiltrarem a rede segura via o gateway.

Benefícios dos gateways unidirecionais na cibersegurança:

  • Segurança aprimorada: ao permitir o fluxo de dados em apenas uma direção, os gateways unidirecionais fornecem uma barreira robusta contra ameaças cibernéticas de entrada, isolando efetivamente sistemas críticos de vetores de ataque potenciais.
  • Conformidade com regulamentos: conforme destacado em vários padrões de cibersegurança, os gateways unidirecionais atendem aos requisitos rigorosos de conformidade, especialmente onde a proteção de infraestruturas críticas está em questão.
  • Redução da superfície de ataque: a implementação desses gateways reduz significativamente a superfície de ataque, eliminando o risco de violações externas através do caminho de transmissão de dados.

Integração com tecnologias avançadas:

Integrar gateways unidirecionais com outras tecnologias avançadas, como multivarredura de malware e plataformas de inteligência de ameaças, eleva sua eficácia.

  • Multivarredura de malware: integrar a multivarredura de malware com gateways unidirecionais garante que qualquer dado transferido seja analisado em busca de potenciais ameaças usando múltiplos motores antivírus, melhorando assim a detecção e prevenção de malware.
  • Inteligência de ameaças: acoplar plataformas de inteligência de ameaças com esses gateways permite a análise dos padrões de tráfego de dados e a identificação de potenciais ameaças com base nas últimas informações, garantindo que as informações que passam pelos gateways sejam seguras e verificadas.

Ilustrando a proteção abrangente através da integração:

Considere um cenário em um ambiente ICS, onde dados operacionais precisam ser enviados de forma segura da rede de controle para uma rede corporativa para análise. Um gateway unidirecional garante que nenhum tráfego potencialmente nocivo possa entrar na rede de controle. Quando integrado a um sistema de varredura de malware, os dados que passam pelo gateway são minuciosamente escaneados, garantindo que estejam livres de malware. Simultaneamente, a inteligência contra ameaças pode analisar esse fluxo de dados em busca de padrões incomuns ou indicadores de comprometimento, proporcionando uma camada adicional de segurança.

Em outro caso de uso, uma instituição financeira pode usar um gateway unidirecional para transferir dados de transações de forma segura para um sistema de auditoria externo. A integração com ferramentas avançadas de detecção de ameaças garante a análise em tempo real desses dados, detectando quaisquer anomalias ou sinais de manipulação de dados, protegendo assim a integridade dos registros de transações.

Esses cenários demonstram como a integração de gateways unidirecionais com tecnologias avançadas aborda as limitações dos firewalls tradicionais, proporcionando uma abordagem mais abrangente e proativa à cibersegurança.

Perspectivas Futuras 

O futuro da segurança de rede reside em uma estratégia de defesa em profundidade, onde camadas de defesa criam uma barreira fortificada em torno de infraestruturas críticas. Essa abordagem combina as forças dos firewalls tradicionais com soluções avançadas como gateways de segurança unidirecionais. Juntos, eles formam um perímetro em várias camadas, reduzindo efetivamente a superfície de ataque e minimizando potenciais pontos de entrada para ameaças cibernéticas. As organizações são encorajadas a considerar essas percepções e a melhorar proativamente suas medidas de cibersegurança, garantindo proteção robusta para suas redes e ativos de dados críticos.

Esse artigo tem informações retiradas do blog da AT&T. A Neotel é parceira da AT&T e, para mais informações sobre as soluções e serviços da empresa, entre em contato com a gente.

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