Mais de 500 arquivos da planilha vêm sendo usados para disseminar uma nova variante do trojan bancário

Mais de 500 arquivos do Microsoft Excel vêm sendo usados para disseminar uma nova variante do Emotet. A descoberta foi feita pela equipe do FortiGuard Labs da Fortinet, que já monitorou várias campanhas do cavalo de Troia no passado.
O Emotet usa engenharia social, como e-mail, para atrair destinatários a abrir documentos anexados, incluindo Word, Excel, PDF, etc. Conhecido como trojan modular, ele foi descoberto pela primeira vez em meados de 2014. Desde então, tornou-se muito ativo, atualizando-se continuamente. Também tem sido destaque nas notícias de segurança cibernética de tempos em tempos. De acordo com os relatórios do FortiGuard Labs para Brasil e América Latina, o Emotet esteve ativo na região ao longo de 2021 e continua neste ano.
Os analistas do FortiGuard Labs pegaram um arquivo Excel das amostras capturadas e conduziram uma pesquisa profunda sobre essa nova campanha. A imagem abaixo mostra a mensagem falsa usada para atrair uma vítima a clicar no botão “Habilitar conteúdo” para visualizar o conteúdo protegido do arquivo Excel. O arquivo pode ter chegado à vítima por meio de um desconhecido ou como um anexo em um e-mail de phishing.

A seguir, a equipe do FortiGuard Labs descreve o que acontece quando o destinatário abre o e-mail ou o anexo e clica em “Habilitar conteúdo””
• A macro maliciosa possui uma função chamada “Workbook_Open()” que é executada automaticamente em segundo plano quando o arquivo do Excel é aberto. Ele chama outras funções locais para gravar dados em dois arquivos: “uidpjewl.bat” e “tjspowj.vbs” na pasta “C:\ProgramData\”. Os dados escritos são lidos de várias células deste arquivo Excel. No final, a macro executa o arquivo “tjspowj.vbs” com “wscript.exe”.
• Após o arquivo Emotet (“puihoud.dll”) ser carregado por “rundll32.exe”, sua função de ponto de entrada é chamada pela primeira vez.
• Assim que o Emotet termina de coletar as informações básicas do dispositivo da vítima, ele chama a API BCryptEncrypt() para criptografar os dados e iniciar a comunicação com o servidor Command & Control (C2).
• Depois que o Emotet recebe uma resposta válida do servidor C2, ele realoca o arquivo Emotet dll baixado de “C:\Windows\ProgramData\puihoud.dll” para a pasta “%LocalAppData%”.
• Além disso, para permanecer no dispositivo da vítima, o Emotet se torna persistente ao adicionar o arquivo realocado ao grupo de execução automática no registro do sistema. O Emotet pode então ser executado na inicialização do sistema.
O que fazer para se proteger
A proteção mais efetiva é sempre a conscientização dos usuários finais. Fazer com que todos os funcionários saibam identificar e-mails e mensagens suspeitas, assim como o funcionamento de uma campanha de phishing, é o primeiro passo que as empresas têm que dar. O curso gratuito da Fortinet (em português) NSE 1 – Conscientização sobre Segurança da Informação inclui um módulo sobre ameaças da internet projetado para ajudar os usuários finais a aprenderem como identificar e se proteger contra ataques de phishing.
Além disso, soluções de avançadas de segurança ajudam as organizações a estarem protegidas:
• A macro maliciosa dentro da amostra do Excel pode ser desarmada por um serviço de CDR (Content Disarm & Reconstruction), tecnologia para remover códigos potencialmente maliciosos de arquivos;
• Um bom serviço de web filtering que classifique todas as URLs relevantes como “sites maliciosos”;
• Bloqueio dos arquivos de malware por um antivírus;
• Solução de EDR (Endpoint Detection and Response) para detectar o arquivo Excel e o arquivo dll Emotet como maliciosos com base em seu comportamento.
FONTE: CISO ADVISOR