O crescimento da fraude de identidade sintética no Brasil

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Um dos principais perigos da fraude de identidade sintética está em sua dificuldade de rastreamento; Como então detê-la?

Por Fabrício Ikeda*

Foto: Adobe Stock

Um ano após o início da pandemia, a vida de todos os brasileiros mudou radicalmente. Com a adaptação ao confinamento, às novas regulamentações sanitárias e à restrição das atividades presenciais, surgiram novos hábitos de consumo. O “novo normal” forçou as pessoas a experimentar novas maneiras de adquirir bens de consumo e serviços, principalmente pela internet.

Segundo a Ebit|Nielsen, as vendas do e-commerce no Brasil em 2021 devem crescer 26%, atingindo um faturamento de R$110 bilhões, o que indica uma consolidação das lojas online e dos marketplaces. Mas, ao mesmo tempo que isso significa um novo passo rumo à transformação digital da população, surgem diversas oportunidades para criminosos virtuais.

De acordo com a FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos), as instituições registraram no ano passado um aumento de 80% nas tentativas de ataques online – o recente grande vazamento de dados identificado no Brasil, que ainda não foi totalmente esclarecido, deixou a questão ainda mais evidente. Porém, além dos tradicionais tipos de fraude, especialistas alertam para a expansão de novas modalidades que são ainda mais complexas e difíceis de serem detectadas. Um exemplo é a fraude de identidade sintética.

Ela consiste em uma fraude na qual os cibercriminosos geram uma nova identidade utilizando uma combinação de informações verdadeiras e falsas, com o objetivo de aplicar golpes financeiros como solicitar cartões de crédito e abrir contas em bancos digitais. Pode-se, inclusive, utilizar dados de crianças e de pessoas já falecidas, tornando muito difícil sua identificação.

O perigo da fraude de identidade sintética está na dificuldade de rastreamento, já que é difícil para uma pessoa identificar, em tempo real, se alguém está utilizando algum de seus dados ou informações. Ela costuma perceber somente no momento que o golpe gera dívidas, quando começam os processos de cobrança ou quando sua nota de crédito é afetada, impedindo que ela compre determinados produtos ou serviços.

Além dos perigos no setor financeiro e nas transações bancárias, a fraude de identidade sintética também pode ser realizada em outros segmentos, como varejo, automotivo, telecomunicações e seguros. Os fraudadores podem usar novas identidades para comprar todos os tipos de bens e serviços sem ter que pagar um único centavo por eles.

Para o consumidor, é importante seguir algumas dicas para mitigar o risco de um fraudador utilizar seus dados pessoais de maneira indevida. Desconfiar de sites de verificação de dados vazados, monitorar seu histórico de crédito e transações de suas contas e cartões, consultar frequentemente os dados de seus parentes e habilitar fatores de autenticação fortes para suas senhas podem contribuir de forma decisiva com sua segurança.

A fraude de identidade sintética também é um grande desafio para as empresas que, sem saber, acabam concedendo crédito ou financiamento a golpistas, contas laranjas ou empresas de fachada. Porém, é praticamente impossível detectar e impedir este tipo de fraude sem o suporte de tecnologias adequadas, já que o ser humano não consegue analisar grandes volumes de dados e cruzar informações em poucos segundos.

Por meio de análises preditivas e modelos de inteligência artificial é possível rastrear não apenas as transações e hábitos de um usuário, mas também analisar riscos e validar quaisquer erros nos dados que são enviados na solicitação de crédito ou de algum serviço. Sendo assim, a utilização desses recursos tecnológicos é essencial no combate à fraude de identidade sintética.

Grandes evoluções tecnológicas são vantajosas para a sociedade, mas sempre trazem desafios. A expansão do consumo online proporciona diversas comodidades ao consumidor e oportunidades de negócios para as empresas, mas também abre espaço para a ação de criminosos. Porém, com a conscientização da população e o uso de ferramentas adequadas por parte das organizações, será possível minimizar as fraudes e tornar o ambiente virtual ainda mais próspero e seguro.

*Fabrício Ikeda é diretor de Prevenção a Fraudes da FICO para a América Latina

FONTE: CIO

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