Empresa ligada ao governo chinês recolhe dados de 2.4 milhões de pessoas na ‘deep web’, incluindo figuras influentes de vários países

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Foi divulgada uma base de dados criada pela “Zhenhua Data”, que inclui informações pessoais de figuras influentes de vários países. As informações terão sido recolhidas a partir das redes sociais e da “deep web”

AZhenhua Data, uma empresa chinesa de tecnologia, criou uma base de dados com as informações de 2.4 milhões de cidadãos dos EUA, Reino Unido, Austrália, Canadá, Japão e Índia. A lista inclui políticos, membros da família real, celebridades e membros das forças armadas. A base de dados foi divulgada a um consórcio internacional de órgãos de comunicação social, no dia 14 de setembro.

Os dados pessoais dos visados revelam informações como os seus nomes, datas de nascimento, educação, biografia pessoal, registo criminal ou até o seu círculo de amigos e família. Apesar de a maioria dos dados ter sido retirada diretamente das redes sociais e de outras fontes públicas, uma parte destes terá sido alegadamente retirada de registos confidenciais do banco, de candidaturas de emprego e de perfis psicológicos, através da deep web, segundo a rede de televisão australiana ABC.

A Zhenhua tem a sua sede em Shenzhen, no sul da China. Apesar de ser uma empresa privada, o relatório de análise da recolha de dados afirma que “os dados aparentam estar a ser usados para apoiar os serviços de informação e segurança chineses, assim como operações de propaganda do Estado.”

A base de dados foi divulgada por Christopher Balding. O professor americano, que se viu obrigado a regressar aos EUA por motivos de segurança, partilhou a informação com a empresa de cibersegurança “Internet 2.0”, de forma a esta proceder à análise e recuperação dos dados. Até ao momento, a empresa conseguiu recuperar os dados de mais de 250 mil pessoas, cerca de 10% do total.

Balding partilhou uma declaração na qual afirma que “a intensidade e profundidade da vigilância do Governo Chinês não pode ser desvalorizada. O mundo está apenas a começar a perceber a dimensão do investimento da China nos seus serviços de informação”. Balding foi professor numa universidade de Pequim até 2018, mas abandonou a cidade após sentir que a sua segurança estava em risco.

Um representante da Zhenhua contestou as acusações em declarações prestadas ao jornal inglês The Guardian, garantindo que “as acusações são falsas” e “não há nenhuma base de dados de 2 milhões de pessoas”. O representante desvalorizou qualquer possível recolha de dados, afirmando que “trata-se apenas de integração de dados, não de recolha.”

Os americanos, australianos, indianos e britânicos constituem a maioria das nacionalidades dos perfis recuperados até ao momento. Atualmente, o governo chinês vive momentos de tensão com os governos dos respetivos países.

Um dos perfis recuperados foi mesmo o de Boris Johnson, primeiro-ministro de Inglaterra. Os britânicos têm estado em conflito com o governo chinês desde a implementação da nova lei de segurança de Hong Kong e do envolvimento da empresa Huwaei no negócio da rede 5G do Reino Unido.

A porta-voz do Facebook, Liz Bourgeois, anunciou que a Zhenhua foi banida da plataforma. Por sua vez, o porta-voz do Twitter afirmou que não celebraram qualquer acordo de partilha de dados com a empresa chinesa. O LinkedIn sublinhou que vão procurar melhorar a segurança da rede social para evitar estas recolhas de dados.

FONTE: VISÃO

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