Hackers foram contratados para fraudar mais de R$ 1 milhão em multas no DF

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Metrópoles apurou que o servidor do Detran-DF Cláudio Rodrigues de Queiroz foi preso durante a Operação Backdoor

PCDF/DIVULGAÇÃOMIRELLE PINHEIROmirelle.pinheiro@metropoles.com

29/07/2020 14:59,ATUALIZADO 29/07/2020 16:52

Um grupo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal é suspeito de cancelar indevidamente mais de R$ 1 milhão em multas de trânsito. A apuração indica que os criminosos montaram um complexo esquema envolvendo fraudes, corrupção de servidores públicos e crimes cibernéticos. Os investigados teriam contado com auxílio de hackers para invadir o sistema do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF).

Metrópoles apurou que o servidor Cláudio Rodrigues de Queiroz – originalmente da Seplag, mas que estava cedido ao Detran – foi preso durante a Operação Backdoor, deflagrada na manhã desta quarta-feira (29/7). A investigação foi conduzida pela Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Cecor). A ação teve apoio do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Foram cumpridos cinco mandados de prisão e oito de busca em residências e no local de trabalho dos investigados. Segundo as apurações, há indícios de que as fraudes foram realizadas pelos hackers por meio de uma falha no sistema on-line do Detran.

Os criminosos se aproveitaram da vulnerabilidade e conseguiram cancelar multas, bem como retirar restrições judiciais e administrativas, permitindo, inclusive, o licenciamento e a transferência de propriedade de veículos com pendências.

servidor cedido ao Detran-DF que foi preso é suspeito de repassar informações internas a ex-despachantes que realizavam as fraudes. A Polícia Civil acredita que os crimes eram encomendados pelos proprietários dos veículos a intermediários que, por sua vez, solicitavam aos hackers a alteração no sistema Getran.

Os delegados Wenderson Teles e Luiz Eduardo Mendes, responsáveis pelo caso, explicam a atuação da quadrilha.

Assista:

Veja imagens da operação:

Polícia Civil faz operação contra fraude no detran

Divulgação/ PCDF

Polícia Civil faz operação contra fraude no detran

PCDF/Divulgação

Arma apreendida em operação da PCDF sobre multas no Detran

PCDF/Divulgação

Polícia Civil faz operação contra fraude no detran

Divulgação/ PCDF

Polícia Civil faz operação contra fraude no detran

Divulgação/ PCDF

Polícia Civil faz operação contra fraude no detran

PCDF/Divulgação1

O laudo pericial produzido pelo Instituto de Criminalística da PCDF, por meio da Seção de Perícias de Informática, apontou que o montante dos valores das multas canceladas indevidamente chega a R$ 1.371.658,99.

Os suspeitos agiram entre os meses de maio de 2019 a janeiro de 2020, segundo a PCDF. As multas pertenciam a um total de 612 veículos. As restrições judiciais e administrativas desbloqueadas utilizando o mesmo modus operandi pertenciam a um total de 80 veículos.

Backdoor

O nome da operação faz referência ao Backdoor, um programa malicioso usado para permitir ao agressor remoto acesso não autorizado a um sistema privado de informações. Ele explora as vulnerabilidades de segurança. Um Backdoor trabalha em segundo plano e os criminosos conseguem acessar o computador comprometido sem que o usuário perceba.

É muito semelhante a outros vírus malware e também algo difícil de detectar. O agressor pode utilizar um backdoor para espionar atividades on-line, acessar arquivos e pastas, controlar todo o sistema operacional e atacar outros computadores.

Em 2013 esse recurso ganhou notoriedade quando Edward Snowden revelou um esforço de décadas pela agência de espionagem norte-americana, em parceria com a GCHQ da Grã-Bretanha, para pressionar empresas a instalar backdoors em seus produtos, principalmente os fabricantes de sistemas de criptografia. Assim, esses acessos secretos permitiam que as agências de inteligência conseguissem contornar as proteções de segurança e, dessa forma, tivessem acesso a sistemas e a dados.

O que diz o Detran?

Por meio de nota, o Detran-DF afirmou que “as investigações são realizadas pela Polícia Civil do Distrito Federal” e que “continuará colaborando com as informações solicitadas.”

Esclareceu também que o servidor detido “não é do quadro da autarquia, mas, sim, cedido da antiga Seplag, e que será devolvido ao seu órgão de origem imediatamente”, diz o texto.

FONTE: METRÓPOLES

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